Afrodite







Entre sombras no horizonte há um rosto que soluça,
em que gestos fazem de fogo cada lágrima.








Só os amantes conhecem o verdadeiro tempo,
um segredo que se apaga ao entrar no mar.









Fio de voz longínquo em corpo de adaga a trespassar a noite,
palavras extremas e luminosas sem mistério nem medo.







Poderá uma visão ser tão desfocada?

Leva-me de volta ao mar.
Eram de pérola as minhas fraquezas,
são agora de cinza a flutuar ao luar.




© Texto e fotos Luís Conde
Companhia de Dança Diana Rego
Lisboa, Junho 2014