O canto da sereia






Acreditas no que vês...
Há um horizonte que soa grave como um violoncelo,
as suas cordas soltam como que palavras ditas sem pausas,
palavras mudas, mas que vibram como uma essência sem igual.


Acreditas no que vês...
Há uma luz que soa grave como uma voz,
as suas cordas soltam como que música tocada sem pausas,
música muda, mas que vibra como uma essência sem igual.


Acreditas no que vês...
Algo mais do que resta vive nos seus gestos,
vive no mar, no sol, na terra, no vento, perdido e sem tempo,
como um canto que só ouvimos ao sentir uma essência assim sem igual...





© Texto e imagens Luís Conde

Bailarina, Carolina Fonseca
Sintra, Fevereiro de 2011